Leonino. As vezes tento justificar com essa palavra minha facinação pelo fogo. Não pretendo que minha prolixidade se prolonge por muito tempo, então não vou falar de como o fogo me fascina e ao mesmo tempo eu temo ele e blá blá blá wiskas sachê. Quero discrever porque meu próximo objeto de desejo é um extintor. Na verdade não apenas um, vários, de diversos tamanhos. Ou também poderia ser uma casa inteira de metal, ou de borracha a prova de fogo. Pelo simples fato de que eu perciso!
Tudo começou aos meus quatro anos de idade, quando sorrateiramente eu roubei o isqueiro da minha avó paterna, e fui até o banheiro onde me tranquei e ateei fogo na cortina. Depois de algumas palmadas e berros, tive uma boa abstinência com qualquer produto pirotécnico ou pirofágico.
Aos treze anos, um jovem serelepe todo feliz com seus primeiros pêlos pubianos, resolvi me trancar no quarto de empregada(que era utilizado como deposito e após tal fato, virou meu quarto) e brincar. Peguei quatro caixas de fósforo, alinhei milimétricamente eles em cima da máquina de costura da minha bisá-avó, que era de madeira. Claro que com as pontas todas viradas para a parede, porque vai que se caia algum no chão, pelo menos iria marcar o chão perto da parede onde ninguém iria notar. Pois bem, todos alinhados, hora de acender. Não preciso dizer muito, o fogo se alastrou. Subiu uma lambareta, que ateou fogo na cortina, pegou fogo na toalha de renda sobre a máquina de costura, sobre o vaso de flor artificial em cima da máquina. E tudo muito bem apagado com copinhos de aguá. Tal travessura só foi descoberto quatro dias depois do ocorrido. Bronca, puxões de orelha e castigo. Repintei todo o quarto, que nesta altura estava num lindo cinza foligem.
Vinte dois anos, banheiro do meu quarto, um dumbie tentando trocar uma resistência do chuveiro. Não tem muito até o que contar, não foi uma expêriencia que deu errado, ou coisa assim. Apenas a dura lição: para trocar a resistência SEMPRE desligue a eletricidade, e NUNCA deixe os dois fios da resistência se tocarem, pois causa fogo. Meu castigo é grande, tive que trocar meu bom chuveiro com regulagem embaixo de temperatura e com uma boa pressão(que agora descança em paz em algum centro de reciclagem, mais contorcido do que corcunda de notredame) por um simples de duas fases da Lorrenzetti, que até o final do semestre eu vou botar fogo de propósito.
Algumas semanas após o ocorrido do banheiro, estou eu na cozinha, lugar onde estou sempre tão a vontade, conhecedor de tudo. Fui fritar batata frita(sempre coloco elas no forno, mas mamãe queria elas fritas). Oleo na panela, fogão acesso, batatas prontas. Porém tem um pequeno detalhe, elas estavam congeladas demais, e mesmo eu colocando no microondas para retirar o gelo, ainda restou muita agua nelas. Quando eu joguei a primeira remessa de batatas na panela, a agua fria com o oleo quente, fez subir uma grande quantidade de oleo, que ao tocar a chama do fogão, subiu uma grande labareta de fogo, tomando conta da panela de oleo, da parade, exaustor e teto. Tudo muito rápido, pois sozinho o fogo se apagou. O susto foi grande, pois queimou bem o exaustor(porém só precisa mesmo trocar o filtro, ou que restou dele). O castigo foi apenas limpar tudo. Digo uma coisa, beijaria a boca de quem inventou o desengordurante em spray.
Pelas minhas contas, esta sobrando a lavanderia, a sala e a garagem para o grande finale. Não estou querendo que aconteça, apenas estou prevendo que vai acontecer, e quero estar preparado com meus extintores. Vou pinta-los e dar nomes a eles. Vou entrete-los, passear com eles, verificar semper a pressão no barômetro. Apenas não direi "quem brinca com fogo faz xixi na cama". Tirando que aos meus quatros anos molhar a cama era bem normal, nunca fiz xixi.
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